segunda-feira, 1 de maio de 2017

Finalmente!

O inédito se dá em minha vida!
A espontaneidade das palavras me caírem para fora da boca, e eu tentando colher de volta os pedaços espalham pelo cômodo.
 Há muitos e muitos anos atrás as palavras poéticas eram para mim instrumento apenas para falar das belas histórias de amor que eu assistia acontecer ao meu redor, enquanto eu, oca, esvaziada da possibilidade de amar.
Há alguns anos sua função se modificou e tornou-se instrumento trovadoresco em busca da dama que jamais me dedicaria amor real, amor concreto. Assim sendo todos os meus escritos se focavam na lamentação da dificuldade do amor improvável.
 E o inédito acontece!
Estou eu. Agora. buscando usar as palavras para me construir.
 Inédita a espontaneidade que me assusta!
 Inédita a possibilidade de me escolher no mundo.

 Sempre me vi cobrada a fazer escolhas profissionais, no sentido de fazer apostas mais audaciosas e melhores investimentos nesta área de minha vida, afinal de contas eu sempre tive tanto potencial.
 Mas como pode alguém que ainda não sabe quem é conseguir fazer qualquer escolha desta ordem?
Eu estão caminhei a vida toda em busca de amor e aceitação. Apenas teria condições de existir no mundo se fosse amada e aceita como sou.
 Eis que encontrei uma amostra desse amor! E foi só então, só quando encontrei a garantia de ser amada como sou, não apenas nela, mas em quem fui me construindo a partir da nossa história que percebi que não sei quem sou!

 Passei a vida tentando me concertar. Tentando me fazer aceitar melhor o feminino que existe em mim, e usufruir de toda a possibilidade que o feminino me trás. Passei a vida negando um desejo emudecido de vestir como homem, e ser vista como homem.
 Passei a vida e a vida passou. Com quase trinta anos finalmente construo coragem pra fazer a pergunta que quer calar: "será que sou trans?!"

 Um mundo de possibilidades e insegurança se abrem!
Eu andava afirmando a mais de 5 anos justamente o oposto daquilo que agora desconfio.
Paralisia facial do lado esquerdo do rosto, as pesquisas me dizia que era questão com uma paralisação do masculino. Mas uma arrogância intelectual me dizia que aqueles escritos estavam errados e que apesar de o corpo seguir a lógica de o esquerdo ser masculino e o direito feminino, o rosto era algum outro simbolo. Somente hoje consigo conceber a possibilidade de sim, ter paralisado o masculino em mim.

 Quando depois de ter contado a meus pais sobre minha mais recente descoberta de orientação homossexual, vi qualquer possibilidade de masculinidade assombrada pelas palavras "Pelo amor de Deus, quer ficar com menina fica, eu não tenho nada a ver com quem você come ou deixa de comer, mas não vai achar que é homem e começar a se vestir de homem por aí!"

 Ser "lésbica" tinha sido aceito e eu deveria ser grata por isso, e fui. Acreditei piamente que ser aceita como uma mulher que gosta de outra mulher seria o suficiente para eu ser feliz. Mas ... Aqui estou eu, ainda em crise de identidade, ainda sem conseguir me sentir pertencente a nada, ainda sem lugar no mundo.

Mas finalmente dando voz a tudo que antes foi calado!

Caminharei por este caminho por sentir que é o certo, e caso não seja, continuarei caminhando por quantos caminhos errados forem preciso para finalmente chegar ao caminho certo.

quinta-feira, 20 de outubro de 2016

DESILÊNCIO

Chego ao ápice da crise do desejo!

Não fui ensinada a desejar, fui ensinada apenas a cumprir. E o pouco desejo que foi me surgindo ao longo da trajetória, nascia no contraponto daquilo que era imposto.
 O único espaço para desejo foi o que era revelado na sombra da cobrança.

 Ao crescer ouvindo "Seja Feminina!", ou ouvia dizer de duas únicas condições existenciais: Ser feminina ou ser masculina.
 Quando me impunham que eu fosse feminina, a algum ponto eu entendi que aquela ordem nascia da falta de feminilidade em alguns comportamentos meus, e muito cedo entendi que então o que era de fato meu era exatamente o oposto da ordem, ou seja, ser masculina.
 E naturalmente aquele ia sendo o "desejo-de-eu", fui me construindo na luz do que era dito sobre mim, que ia sendo internalizado na medida que eu me reconhecia naquilo, e na sombra do que me era ordenado, na medida em que falava das coisas que existiam em mim, mas não eram muito adaptadas ao que era esperado de uma garota.

 O problema é que na imaturidade do inicio da vida, eu fui levando esses ditos cada vez mais a ferro e fogo, e em dado momento me vi presa numa redoma de palavras que me aprisionavam numa identificação massiva com o masculino mesclada a uma série de obrigações com o cuidado, a maternidade e tantas outras características socialmente impostas ao feminino, inclusive a dificuldade de usar da minha agressividade para galgar espaços profissionais.

 Foi então que em algum momento eu consegui destruir essa prisão. Mas o que as prisões causam em nossas vidas? Quais são as consequência para aqueles que após anos de enclausuramento se vêm soltos nas ruas, e com infinitas possibilidades de exercer suas liberdades?
 Bom, eu me vi perdida.

Algumas marcas dessas prisões ainda me acompanham, mas jã não são o suficiente para me impedirem de caminhar. Mas me ponho na calçada, sentada ao chão. E choro.
Não sei para onde ir. Não sei para onde quero ir. E também não sei pedir ajuda.
Ouço relatos daqueles que pedem ajuda e de fato caminham muito neste mundo, mas vejo esses relatos em corpos masculinos e sinto uma dificuldade enorme de acreditar que conseguiria ajuda.

 Pela primeira vez em minha vida reconheço o feminino em mim como potência, e no entanto, não sei para onde caminhar. Não sei muito bem quem sou, mais. Não sei o que desejo; Os meus sonhos parecem vagos e muito distantes de mim; O Deus todo poderoso parece não mais operar em minha existência na medida em que me encontro com a Sagrado Feminino, e pela primeira vez em minha vida me sinto completamente impotente e sem poder criador e concretizador.

 As ironias que nos cercas... O Sagrado Feminino, o poder universal da criação, da condição da existência de tudo, poder da terra, transformador e amoroso, e eu sentindo me impotente.

 Eu caminhava num caminho falso, idealizado por um eu masculinizado e distante da minha própria verdade interior. Um eu que precisava sobreviver a violência e outras condições adversas da vida, e que para tanto, como mulher, aprendeu a andar com gingado malandro e cara fechada dentre bairros de alto índice de criminalidade, um eu que pouco a pouco me habita menos e menos, e com o qual eu já cumpro as despedidas.
 Frente a isso, parece tão obvio que os caminhos irão mudar drasticamente, parece tão claro que os lugares para que eu estava caminhando agora, passarão a aos poucos se dissolverem em meu caminho, para que outras possibilidades surjam.
 Mas na medida em que assisto e vivo tudo isso, não consigo ter a calma e a sutileza que as linhas anteriores traduzem. Eu me desespero, me recuso, me repudio. Eu choro.

 Eu choro porque estou com fome. Fome de vida genuína. Fome de saber melhor quem eu sou.
 Fome de mim!

terça-feira, 11 de outubro de 2016

DESCONCERTO!

Nasci MULHER
Com os nãos prontos para me serem dados.
Fui ensinada a cuidar e a restaurar.
"Restaure. Concerte tudo que puder. É nisso que és boa, és boa em concertar pessoas."

 Primeira mentira!!

Estou exausta dos concertos! Essa história cansativa de compor melodias menos pavorosas, de harmonizar e criar escalas que se encaixem e sejam belas...

 Estou de saco cheio da mentira que contei pra mim mesma.
 Estou de saco cheio de acreditar que preciso de outra pessoa para ter permissão de ser eu mesma.

 Chega!

Não sei quem sou, mas não serei mais quem concerta coisa alguma!

Uma Fração Sobre Aquela Viagem

 Quase um ano de expedição marítima, e uma conclusão não tão surpreendente já se revela. Estar em alta mar causa náuseas, te faz deslumbras com as belezas naturais, te faz gostar menos de azul, e te ensina o que é sentir sede de terra firme.
 Eu já achei que o mar era meu paraíso, também meu inferno, e em ambos momentos estive certa. Ai que saudade de terra firme a vista, que saudade do antigo arquipélago que ao menos me era familiar.
 Acreditar estar acompanhada, mas não há viagem que se acompanhe quando as tormentas são severas de mais e resta apenas a tentativa cooperativa de se sobreviver, hora olhando por si mesmo, hora tentando salvar o outro.

 Quase um ano se passou e eu ainda não tive coragem de colocar as mãos no leme. Ensaio, penso, refuto. Me convenço que é melhor o inferno acompanhado do que a eternidade num paraíso solitário.
 Me finjo heroína, perdoou, salvo, desbravo novos pedaços de Mar, e continuo deixando os ventos me puxarem e empurrarem em multi direções, a esmo.

 Esse sol ressecou minha pele, e hoje não tive vontade de cuidar. Hoje deitei no convés do navio e nada fiz além de encarar o sol que ardia minha face. Hoje tive sede, e não bebi água; tive fome e não me alimentei; entristeci e não chorei; hoje fui seca, como nunca antes. Fui parte da madeira rígida que compõe a estrutura da embarcação.

Dessa minha estupida embarcação que caminha para lugar algum, e que está sozinha, finalmente sozinha.

 Que minha solidão me liberte de minha escravidão!

terça-feira, 22 de dezembro de 2015

ex-derivada

 Passou a vida com o        barco a deriva, sem vela, sem leme...     As ondas o puxavam para Aqui e para Ali, e o Lá era sempre um ponto inalcançável no horizonte.
    Nos últimos anos         percebeu que na verdade         tinha ancoras fincadas ao chão.
Chão de terreno arenoso, passou 26 explorando aquelas mesmas belas paisagens, que nem sempre mesmas, que nem sempre belas.     ..... Com barco naquele pedaço de chão saboreou brisas encantadoras             , crepúsculos e alvoradas que tiraram seu fôlego e construíram sentidos mais plenos em sua existência.        ..... Viveu também tempestades      épicas, nas quais duvidou se sua vida suportaria tamanha tormenta; assim como as secas, cujo a falta de água doce fez a água salgada confundir-se com potável.
 Alí e Aqui, as voltas pelo mesmo arquipélago. Sobre sua existência, nuvens se formaram, desformaram,       dissiparam, foram para , onde não ousava ir. ...

        Sua curiosidade fez nascer        velas, mas assim que elas se puseram prontas para serem sopradas por bons ventos, se mostraram ainda           imaturas de encarar a tempestade que elas mesmas fizeram nascer...
                                      precisava de um leme e o conseguiu... mas sua pilotagem ainda era imatura, tentava chegar  com as ancoras ainda jogadas ao mar.
Como puxá-las? não havia força suficiente.    Pensou muitas vezes em cortá-las, mas cautelosamente refutava a ideia destemperada, por julgar que em um outro lugar talvez fosse querer jogar as ancoras novamente ao mar.
                                                              Qual seria a saída??? Sim, não era possível sair só, precisaria de ajuda!
Desejou, e a ajuda aconteceu.
                      Agora à caminho do Lá, se despedindo do aqui que no momento da despedida furta a memória das tempestades e faz lembrar só das doces brisas de verão.

 O que aguarda? Quais novas paisagens existem ao horizonte? será que existem rochedos que possam colocar o barco em risco de afundar? Como seguir em frente sem deixar o sol ressecar as velas? Como saber a hora de parar e a hora de seguir?
Esse mar anda calmo... calmo como quem celebra a passagem da paz. Mas dentro do barco, lá dentro está a esporádica tormenta, alimentada por                              medo,                                              insegurança,              e                                                                     passados.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

Sobre Crianças e Objetos

 Em uma sala de um jardim de infância, crianças com menos de um ano e meio preferem objetos à pessoas... Se relacionam com seus objetos favoritos afetivamente, os controlam e buscam por conforto, prazer físico e até mesmo segurança naqueles objetos.
 Naquela mesma sala crianças um pouco mais velhas, próximas dos três anos de idade brincam entre si, alterando de maneira muito pessoal a variação de escolha entre estar com o outro e estar com o objeto, vezes inclusive mostrando clara confusão entre outro e objeto, como por exemplo tentando controlar o outro, como se fosse um objeto, ou esperando respostas autônomas do objeto como se fosse um outro.
 Numa outra sala crianças um pouco mais velhas, já com quarto anos e meio, já não esperam mais as respostas dos objetos (apesar de as fantasiarem quando parecem necessitar elaborar algo que vivenciaram com o outro e gostariam de que este outro tivesse tido outra resposta), mas ainda buscam incessantemente controlar o outro, e é neste momento que os exemplos de adultos de próxima convivência passam a ser fundamentais nos comportamentos destas crianças, pois seus repertórios de tentativa de controle do outro parecem repetir sofisticadamente o repertorio do adulto para com o controle da criança e dos pares ao redor dele mesmo. Alguns repertórios envolvendo propostas de benefícios que outro terá caso faça o que ele quer, outros repertórios incluindo agressão física ou verbal e psicológica, etc. Algumas crianças inclusive, simplesmente mudam o foco e buscam objetos mais fáceis de se controlar.
 Uma primeira pergunta pertinente surge: Se todas as crianças estão controlando outras, como que todas brincam juntas parecendo que apenas algumas, com características de maior liderança, parecem dominar/ controlar mais?
 A nossa visão para mecanismos grupais são muito presas em dualidades e na maioria das vezes não admitem a multiplicidade existente nas multirelações estabelecidas. Todas as crianças controlam o ambiente, cada uma no papel que a cabe. Se a criança que sempre propõe as brincadeiras (considerada líder) propõe brincadeiras que o grupo não acata, ela perde esse posto, por outro lado, se o pequeno não acata a brincadeira proposta ele pode perder a chance de brincar com o outro, nesta dinâmica ambos controlam a dinâmica, ambos controlam o outro, num fluxo impossível de se prever.
 Mas a grande questão que fica é: Se as crianças são capazes de superar a relação objetal, se são capazes de superar a necessidade por controle do objeto, porque elas tem tanta dificuldade de superar a necessidade por controle do outro??? Sujeitos neuróticos só podem ensinar neurose??

 E Freud já afirmou que quando João fala de Pedro, ele diz mais de João do que de Pedro.

quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Oi, Palavra. Quanto tempo!

 É, eu sei, eu sei. Não tenho te procurado muito esses últimos tempos.
E acho que foi ótimo nos encontrarmos, porque eu estava mesmo precisando falar contigo.
Sabe o que é? Nas últimas vezes que nos encontramos não fui muito sincera com você. Você deve ter notado que eu estava um pouco mais distante, não conseguindo falar direito sobre meus sentimentos e menos ainda expressar meus pensamentos.
 Pois é... Eu sei... Você não deve ter entendido nada mesmo.
Eu andei pensando no porque isso estava acontecendo, pois nesses últimos tempos andei sentindo muita saudade da relação que tínhamos antes. Sorri ao lembrar dos nossos longos encontros poéticos, textuais e até mesmo musicais, que nesses últimos 5 anos foram sendo cada vez mais raros até tornarem-se extintos.
 Mas que bom que te reencontrei por aqui.
Então voltando ao que estava tentando dizer, Palavra. Eu queria te pedir desculpas.
Eu sei que andei te mal tratando, não explicita ou fisicamente, mas reconheço que te excluí do meu hall de amigos nesses últimos anos.
 Eu fiz novos amigos, e alguns novos inimigos. Dentre esses inimigos novos, a Burocracia Acadêmica foi a maior responsável por este nosso distanciamento, depois de mim mesma, é claro.
 Sabe, quando conheci a Academia rolou até um apelido carinhoso, "Mack", eu via nela tantas novas verdades, tantas novidades e devido ao lugar que a dediquei em minha vida, acabei em algum momento fazendo com que as verdade dela fossem de alguma maneira matando as minhas.
 Foi nesse ponto que ela começou a se tornar minha inimiga. Mas eu não percebia que estava contruindo esse tipo de relação com a "Mack", eu achava que estávamos crescendo juntas e que eu devia muto a ela, pois sem ela eu talvez não conseguiria chegar no lugar que me via no futuro.
 Foi então que nos últimos anos comecei a perceber que minha amizade com ela, há muito tempo já não era mais horizontal. Isso se é que um dia foi...

 Bom, o maior problema é que para tentar manter aquela minha amizade com a Burocracia Acadêmica, eu fui me deixando matar na minha expressão, e fui me tornando mais e mais distante de você, Palavra.
 Eu culpei você por tentar me prender e me diminuir como sujeito dotado de expressão artística, e saber empírico. Eu acreditei cegamente que era você a responsável por me impedir de criar melhor. Passei a achar você limitada, e pouco flexível. E o pior é que quanto mais esses sentimentos cresciam, e mais eu me distanciava, quando a gente se encontrava era algo entroncado, Lembra?
 Pois é... Eu sei que era eu a responsável por todo nosso desconforto, mas eu já não sabia mais como estabelecer a intimidade que tínhamos que antes era tão natural. Era como se tudo que eu falasse para você fosse ser insuficiente, mal compreendido, ou julgado.
 Eu me enganei. Nunca foi você quem me aprisionou.
Também seria um erro afirmar que quem me aprisionou foi a Burocracia. Não. Eu reconheço que quem me aprisionou fui eu mesma. Afinal de contas a Mack nunca me pediu para colocá-la naquele lugar, ela nunca me obrigou a amizade alguma, e tão pouco teve intenções de me fazer distanciar-me de você.
 Muitas vezes, inclusive ela até tentou nos reaproximar. Você se lembra dos tantos encontros que tivemos nós três? Eram tão estranhos, né? Eu sempre te ignorava no final. É que eu sentia que quando nos encontrávamos com a Mack, ela nos dizia a todo momento o que era certo e errado se fazer, e se mostrava pouquíssimo aberta a flexibilidade que nossa relação intima trazia. Eu diria até que ela se incomodava com nossa intimidade.

 E o meu maior erro foi acreditar que ela estava certa, e que eu e você não devíamos ser intimas, Acreditei que você deveria ser apenas como uma ferramenta, e que nossa relação deveria ser estritamente profissional. Comecei a reproduzir em você a opressão que sentia na relação com ela. Assim como me sentia apenas uma ferramente dela, numa suposta relação de amizade e real relação de tecnificação do Eu. Passei a te tratar como uma ferramenta.

 Me desculpa , Pa.
Como eu sinto saudades da nossa intimidade.
Como sinto saudades das tantas lágrimas que você me ajudou a enxugar, dos tantos risos que você me fez soltar, das tantas poesias que você me ajudou a compor e colorir minha vida.

 Você me desculpa?
Mesmo?

 Nossa!!! Obrigada!!! Você não sabe como é importante saber que você entende tudo isso que vivi!
Você sempre foi uma das minhas melhoras amigas. Eu sempre acreditei em você.
Alguns tentaram me calar, por acreditarem que o que eu e você tínhamos para dizer ao mundo era menor do que tudo que eles tinham nos livros deles.
 Mas lembra desses Raps nacionais que tanto têem nos aproximado, até chegarmos a essa conversa hoje? Lembra do que eles dizem?

 A Burocracia Acadêmica está errada! Nós temos muito a falar! Coisas que os livros deles não contam, coisas que só eu e você podemos dizer.